População SUS dependente
Em média, cerca de 9 em cada 10 habitantes de um município dependem do SUS, sem plano privado de saúde. Quanto maior, maior a pressão sobre a rede pública.
Metodologia · IFEM
Como medimos a desigualdade no financiamento dos municípios brasileiros de forma transparente, passo a passo.
01 · O que é o IFEM
O IFEM (Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal) é uma plataforma da FNP.
Reúne dados oficiais sobre as finanças dos municípios e os transforma em informação
fácil de consultar, comparar e interpretar.
Ele mede a capacidade de financiamento corrente de cada município, por habitante: quanto a cidade dispõe, em média, para sustentar serviços públicos e suas responsabilidades locais.
Receita corrente é o conjunto de recursos que ingressam regularmente no orçamento e financiam as atividades permanentes do município, pessoal, manutenção de serviços e políticas públicas. Inclui o que o município arrecada (impostos, taxas, contribuições) e o que recebe da União e dos estados (FPM, ICMS, IPVA, Fundeb, SUS). Difere da receita de capital, ligada a investimentos e operações de crédito. No IFEM, todas as receitas são consideradas em termos brutos, o que preserva a comparabilidade entre municípios.
02 · Para que serve
O IFEM apoia quem precisa entender o financiamento municipal no Brasil.
Comparar a receita per capita de municípios
Identificar desigualdades na distribuição de recursos
Observar municípios relativamente subfinanciados
Investigar as causas dessas desigualdades
Acompanhar a evolução histórica das receitas
Comparar municípios de mesmo porte
Analisar diferenças entre regiões e estados
Subsidiar debates sobre federalismo fiscal
Apoiar estudos, reportagens e políticas públicas
03 · O indicador
A medida que torna comparáveis municípios de qualquer tamanho:
o volume médio de receita disponível por habitante, a cada ano.
Olhar só a receita total favorece os mais populosos. Dividir pela população revela a relação entre recursos disponíveis e população atendida.
04 · De onde vem o dinheiro
O IFEM mostra não só quanto o município tem por habitante,
mas de onde vem, e como cada fonte explica sua posição fiscal.
Passe o mouse sobre a legenda para destacar no gráfico. Participações ilustrativas.
05 · Comparar entre iguais
Municípios são estratificados por porte populacional, em oito faixas. A altura de cada barra mostra quantos municípios existem em cada faixa: a grande maioria é de pequeno porte.
Quando útil, os municípios também são vistos em dois grandes blocos:
06 · Organizando 5.570 municípios
Ordenados pela receita por habitante e divididos em grupos de tamanho semelhante.
Os primeiros reúnem os mais subfinanciados; os últimos, os mais bem financiados.
~1.100 municípios por grupo. O 1º quintil reúne os 20% com menor receita por habitante.
~550 municípios por grupo. Um olhar mais fino sobre a distribuição.
~55 municípios por grupo. A leitura mais granular da posição relativa.
Os municípios são ordenados em ordem crescente de receita por habitante. Cada um recebe uma posição relativa = posição no ranking ÷ total de municípios. A partir dela é classificado: os 20% menores valores formam o 1º quintil; os 10% menores, o 1º decil; e assim por diante.
07 · Posição ordinal
A posição de cada município em relação aos demais.
Ordenados do menor para o maior valor: as primeiras posições têm menor receita por habitante.
O ranking pode ser nacional, estadual ou por faixa populacional, situando o município no país, no seu estado ou entre seus pares de porte semelhante.
08 · A máquina do tempo
Para comparar dois momentos, corrigimos 2000 pela inflação (IPCA acumulado), a preços de 2024.
Assim a variação reflete ganho ou perda real de poder de compra.
Disponibilidade: em 2000, população e receita corrente total. Em 2024, também o detalhamento das receitas por tipo, permitindo uma análise mais granular.
A receita por habitante é uma divisão.
Pode subir pela arrecadação… e cair pela população.
Um município pode arrecadar mais no total e, ainda assim, ter menos por habitante. Veja isso vivo no mapa: a análise de crescimento 2000→2024 ↗
09 · Onde cada um está
Uma curva contínua mostra a concentração de municípios em cada faixa de receita.
O pico indica o valor mais frequente; a cauda à direita, a minoria muito bem financiada.
A linha vermelha marca onde um município está nessa fila, revelando, num relance, sua posição no país.
10 · Cada município, um voto
No IFEM, cada município pesa igual, independentemente do tamanho. Veja a diferença com um exemplo de três cidades:
A partir dos mesmos dados, há duas formas de tirar a média, e elas dão resultados bem diferentes:
Média da coluna “por habitante”:
(10.000 + 6.000 + 4.000) ÷ 3 cidades
Cada cidade vale um voto. A metrópole não distorce o resultado.
Receita total dividida pela população total:
R$ 4,22 bi ÷ 1.030.000 habitantes
Ponderada pela população: a metrópole C “puxa” o valor para baixo.
A mediana é o valor central que separa a metade mais pobre da mais rica dos municípios. Robusta a extremos, revela a realidade típica melhor que a média numa distribuição tão desigual quanto a brasileira.
11 · Quem depende do poder público
No município brasileiro típico, boa parte da população depende diretamente do poder público. Dois indicadores ajudam a dimensionar essa pressão sobre os serviços.
Em média, cerca de 9 em cada 10 habitantes de um município dependem do SUS, sem plano privado de saúde. Quanto maior, maior a pressão sobre a rede pública.
Em média, quase 6 em cada 10 habitantes estão inscritos no Cadastro Único, medida de vulnerabilidade social. Inscrição não significa receber benefício.
12 · O município representativo
Ao filtrar por região, porte ou estado, o IFEM constrói um “município típico” do grupo: um perfil sintético que resume o comportamento médio daquele conjunto.
Você escolhe o recorte: região, porte ou estado.
O IFEM reúne todos os municípios que atendem ao critério.
Surge um perfil com série histórica e composição de receitas do grupo.
13 · Recortes e tratamento
O IFEM recorta os dados sem alterar os valores originais, apenas ajustando o foco da análise.
A confiabilidade vem de um processo rigoroso sobre as bases oficiais (Siconfi/STN e IBGE):
Se um município não aparece em uma consulta, é porque não há dado oficial para aquela variável ou período, não por exclusão da plataforma.
14 · Honestidade intelectual
Receita por habitante mede disponibilidade de recursos.
Não mede desempenho, nem qualidade do gasto.
15 · Origem dos dados
Texto geral
Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). IFEM: Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal. Dados organizados a partir de bases oficiais do Tesouro Nacional (Siconfi) e do IBGE. Disponível em: [URL da plataforma]. Acesso em: [data].
Em gráficos ou tabelas
Fonte: Elaboração própria com base no IFEM/FNP (dados do Siconfi/Tesouro Nacional e IBGE).