Metodologia · IFEM

Quanto cada brasileiro tem
para ser cuidado pela sua cidade?

Como medimos a desigualdade no financiamento dos municípios brasileiros de forma transparente, passo a passo.

0municípios analisados
0fontes de receita
Comece a explorar

01 · O que é o IFEM

Dados oficiais,
fáceis de comparar.

O IFEM (Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal) é uma plataforma da FNP.
Reúne dados oficiais sobre as finanças dos municípios e os transforma em informação fácil de consultar, comparar e interpretar.

Ele mede a capacidade de financiamento corrente de cada município, por habitante: quanto a cidade dispõe, em média, para sustentar serviços públicos e suas responsabilidades locais.

Receita corrente bruta
Sem deduções legais
Comparável entre municípios

Receita corrente é o conjunto de recursos que ingressam regularmente no orçamento e financiam as atividades permanentes do município, pessoal, manutenção de serviços e políticas públicas. Inclui o que o município arrecada (impostos, taxas, contribuições) e o que recebe da União e dos estados (FPM, ICMS, IPVA, Fundeb, SUS). Difere da receita de capital, ligada a investimentos e operações de crédito. No IFEM, todas as receitas são consideradas em termos brutos, o que preserva a comparabilidade entre municípios.

02 · Para que serve

De gestores a cidadãos.

O IFEM apoia quem precisa entender o financiamento municipal no Brasil.

Gestores públicos
Pesquisadores
Jornalistas
Parlamentares
Sociedade civil
Cidadãos

O que dá para fazer

Comparar a receita per capita de municípios

Identificar desigualdades na distribuição de recursos

Observar municípios relativamente subfinanciados

Investigar as causas dessas desigualdades

Acompanhar a evolução histórica das receitas

Comparar municípios de mesmo porte

Analisar diferenças entre regiões e estados

Subsidiar debates sobre federalismo fiscal

Apoiar estudos, reportagens e políticas públicas

03 · O indicador

Receita corrente
per capita.

A medida que torna comparáveis municípios de qualquer tamanho:
o volume médio de receita disponível por habitante, a cada ano.

Olhar só a receita total favorece os mais populosos. Dividir pela população revela a relação entre recursos disponíveis e população atendida.

Receita corrente do município População do município Média nacional: R$ 0 / hab.

04 · De onde vem o dinheiro

Quatro grupos.
25 fontes de receita.

O IFEM mostra não só quanto o município tem por habitante,
mas de onde vem, e como cada fonte explica sua posição fiscal.

  • Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria 18%
  • Transferências Correntes 62%
  • Contribuições 6%
  • Outras Receitas Correntes 14%

Passe o mouse sobre a legenda para destacar no gráfico. Participações ilustrativas.

25fontes

05 · Comparar entre iguais

Faixas populacionais.

Municípios são estratificados por porte populacional, em oito faixas. A altura de cada barra mostra quantos municípios existem em cada faixa: a grande maioria é de pequeno porte.

1.261 Até 5 mil
1.159 5 a 10 mil
1.333 10 a 20 mil
1.057 20 a 50 mil
335 50 a 100 mil
176 100 a 200 mil
110 200 a 500 mil
48 +500 mil

Quando útil, os municípios também são vistos em dois grandes blocos:

92%
8%
Abaixo de 80 mil hab.: 5.062 municípios Acima de 80 mil hab.: 417 municípios

06 · Organizando 5.570 municípios

Uma fila,
do menor ao maior.

Ordenados pela receita por habitante e divididos em grupos de tamanho semelhante.
Os primeiros reúnem os mais subfinanciados; os últimos, os mais bem financiados.

0grupos · 20% cada

~1.100 municípios por grupo. O 1º quintil reúne os 20% com menor receita por habitante.

0grupos · 10% cada

~550 municípios por grupo. Um olhar mais fino sobre a distribuição.

0grupos · 1% cada

~55 municípios por grupo. A leitura mais granular da posição relativa.

− menor receita p/cmaior receita p/c +

Os municípios são ordenados em ordem crescente de receita por habitante. Cada um recebe uma posição relativa = posição no ranking ÷ total de municípios. A partir dela é classificado: os 20% menores valores formam o 1º quintil; os 10% menores, o 1º decil; e assim por diante.

07 · Posição ordinal

O ranking municipal.

A posição de cada município em relação aos demais.
Ordenados do menor para o maior valor: as primeiras posições têm menor receita por habitante.

O ranking pode ser nacional, estadual ou por faixa populacional, situando o município no país, no seu estado ou entre seus pares de porte semelhante.

1ª posição · menor receita p/c última posição · maior receita p/c

08 · A máquina do tempo

2000 2024.

Para comparar dois momentos, corrigimos 2000 pela inflação (IPCA acumulado), a preços de 2024.
Assim a variação reflete ganho ou perda real de poder de compra.

Valor Real (2000)=Nominal (2000)×[ 1 + IPCA acumulado ]

Disponibilidade: em 2000, população e receita corrente total. Em 2024, também o detalhamento das receitas por tipo, permitindo uma análise mais granular.

O efeito tesoura

A receita por habitante é uma divisão.
Pode subir pela arrecadação… e cair pela população.

Receita total População

Um município pode arrecadar mais no total e, ainda assim, ter menos por habitante. Veja isso vivo no mapa: a análise de crescimento 2000→2024 ↗

09 · Onde cada um está

O gráfico de densidade.

Uma curva contínua mostra a concentração de municípios em cada faixa de receita.
O pico indica o valor mais frequente; a cauda à direita, a minoria muito bem financiada.

menor receita p/cmaior receita p/c

A linha vermelha marca onde um município está nessa fila, revelando, num relance, sua posição no país.

10 · Cada município, um voto

Média municipal,
não da população.

No IFEM, cada município pesa igual, independentemente do tamanho. Veja a diferença com um exemplo de três cidades:

MunicípioPopulaçãoReceitaPor hab.
A10 milR$ 100 miR$ 10.000
B20 milR$ 120 miR$ 6.000
C1 milhãoR$ 4 biR$ 4.000

A partir dos mesmos dados, há duas formas de tirar a média, e elas dão resultados bem diferentes:

✓ Como o IFEM faz

Média municipal

Média da coluna “por habitante”:
(10.000 + 6.000 + 4.000) ÷ 3 cidades

R$ 0

Cada cidade vale um voto. A metrópole não distorce o resultado.

Outra leitura

Média agregada (por população)

Receita total dividida pela população total:
R$ 4,22 bi ÷ 1.030.000 habitantes

R$ 0

Ponderada pela população: a metrópole C “puxa” o valor para baixo.

A mediana é o valor central que separa a metade mais pobre da mais rica dos municípios. Robusta a extremos, revela a realidade típica melhor que a média numa distribuição tão desigual quanto a brasileira.

11 · Quem depende do poder público

Receita não vive sozinha.

No município brasileiro típico, boa parte da população depende diretamente do poder público. Dois indicadores ajudam a dimensionar essa pressão sobre os serviços.

População SUS dependente

90%da população, em média

Em média, cerca de 9 em cada 10 habitantes de um município dependem do SUS, sem plano privado de saúde. Quanto maior, maior a pressão sobre a rede pública.

Como se calcula: população total menos a população coberta por plano privado de saúde. Fonte: ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)

População no CadÚnico

58%da população, em média

Em média, quase 6 em cada 10 habitantes estão inscritos no Cadastro Único, medida de vulnerabilidade social. Inscrição não significa receber benefício.

Como se calcula: pessoas inscritas no CadÚnico divididas pela população total, multiplicado por 100. Fonte: MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social)

12 · O município representativo

Análise agregada.

Ao filtrar por região, porte ou estado, o IFEM constrói um “município típico” do grupo: um perfil sintético que resume o comportamento médio daquele conjunto.

1

Filtrar

Você escolhe o recorte: região, porte ou estado.

2

Consolidar

O IFEM reúne todos os municípios que atendem ao critério.

3

Município típico

Surge um perfil com série histórica e composição de receitas do grupo.

Comparando esse perfil com a média nacional ao longo do tempo, vê-se se o grupo converge (se aproxima do país) ou diverge (se afasta). Funciona como um termômetro de saúde fiscal e demográfica para benchmarking.

13 · Recortes e tratamento

Mesmos dados,
diferentes lentes.

O IFEM recorta os dados sem alterar os valores originais, apenas ajustando o foco da análise.

Tratamento dos dados

A confiabilidade vem de um processo rigoroso sobre as bases oficiais (Siconfi/STN e IBGE):

  • Identificação unificada por códigos oficiais do IBGE
  • Padronização de estados, regiões e municípios
  • Compatibilização entre bases fiscais e demográficas
  • Cálculo dos indicadores per capita e construção dos quantis
  • Consistência e verificação de dados ausentes

Se um município não aparece em uma consulta, é porque não há dado oficial para aquela variável ou período, não por exclusão da plataforma.

14 · Honestidade intelectual

O que o IFEM não diz.

Receita por habitante mede disponibilidade de recursos.
Não mede desempenho, nem qualidade do gasto.

O que o IFEM não significa

  • A receita não mede a qualidade do gasto público.
  • Não mede a eficiência da gestão municipal.
  • Mais recursos não garantem, sozinhos, serviços melhores.

Cuidados na leitura

  • Os custos de prestação variam por território e contexto social.
  • Não capta desigualdades internas ao município (intraurbanas).
  • Não substitui uma análise fiscal completa (dívida, pessoal, resultado primário).
  • Depende da consistência das declarações oficiais (Siconfi).

15 · Origem dos dados

Bases públicas
e oficiais.

DCA / SICONFIReceita corrente e seu detalhamento
IBGE / RIPSAPopulação e identificação territorial
ANSPopulação SUS dependente
MDS / SAGICADPopulação no CadÚnico

Como citar

Texto geral

Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). IFEM: Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal. Dados organizados a partir de bases oficiais do Tesouro Nacional (Siconfi) e do IBGE. Disponível em: [URL da plataforma]. Acesso em: [data].

Em gráficos ou tabelas

Fonte: Elaboração própria com base no IFEM/FNP (dados do Siconfi/Tesouro Nacional e IBGE).

Da metodologia à realidade dos municípios.